sexta-feira, 2 de maio de 2014

Conhecimento científico: acesso, desenvolvimento e produção na disciplina de Metodologia da Língua Portuguesa.

INTRODUÇÃO
As várias metodologias utilizadas pelos educadores brasileiros, ao longo dos anos, para que a Língua Portuguesa seja amplamente conhecida foi à motivação que levou a inclusão desta disciplina ao curso de Pedagogia.
Reconhecer como se dá a entrada, o desenrolar e a construção da língua mater brasileira dentro da vida humana, no contexto escolar e social, faz-se necessário para o bom embasamento teórico dos futuros profissionais.
Essa aquisição pode ocorrer através de estudos realizados na sociedade humana e vida escolar, em diferentes épocas e etapas do ensino.
Isso ocorre quando se acentua, diferencia-se e sintetiza-se o processo de construção do conhecimento sobre o acesso, o desenvolvimento e a produção na disciplina de Metodologia da Língua Portuguesa, que foi de onde partimos para dirimir as dúvidas sobre o assunto.
Língua Portuguesa: o desafio de aprender e ensinar a toda prova
Desde o ventre, as palavras (linguagem) nos são apresentadas e as reconhecemos no nascimento, nos primeiros anos de vida, adolescência, juventude, vida adulta e terceira idade. Esta linguagem se reflete em nossas ações e inicia o nosso conhecimento de mundo, que também é passado de geração em geração.  Levamos a mesma durante toda a existência, assim dizemos que é construído o Censo Comum.
Durante a vida escolar (educacional), somos direcionados ao aprendizado a partir de análises baseadas em fatos reais e ocorrências comprovadas através de pesquisas e resultados. Portanto, contextualizamos nossos saberes com o que nos é apresentado, e, passamos a dispor do agora Conhecimento Científico.
No entanto, se queremos definir como a metodologia do ensino da Língua Portuguesa vem sendo aplicada, precisamos conhecer além dos fatores históricos. Temos que saber como foi e  é o acesso à língua, de que forma se desenvolve, ao longo do tempo, na vida educacional, além de sua reprodução.
O acesso à aquisição (formal) do sistema de escrita, segundo observações e pesquisas, dá-se de forma equivocada. Por muitas vezes, ainda ocorre o adiantamento do processo devido à ansiedade pela “produção” palpável na escola. Impede-se com isso o “desenvolvimento” natural, livre e saudável de meninos e meninas, embora se verifique que os Parâmetros Curriculares Nacionais contribuíram significativamente para a prática do ensino da linguagem como afirmam Motta-Roth e Meurer (2002). Mesmo assim, o contexto escolar, em muitos casos, age com negligência por achar “perda de tempo” contar histórias; conversar sobre nossas impressões de algo; registar nossas vivências; produzir textos reais para fins sociais reais; cantar músicas; ler textos reais com toda a sua complexidade (letras, fonemas e ortografia); investigar nossas curiosidades; etc.
As características do pouco acesso à língua acima citadas eram muito explícitadas. Com isso, o desenvolvimento pouco ocorreu a partir da contextualização, principalmente entre os anos 80 e 90, por conta da preocupação exacerbada com a linguagem normatizada.
As metodologias adotadas para o ensino da língua portuguesa eram pouquíssimas empregadas no sentido de estarem presentes no dia a dia do educando, então a linguagem desenvolveu-se de forma lenta, como afirma a professora: “Ainda na escolha do livro didático, éramos impelidos a uma gama de literaturas que nada tinham em comum com o dia a dia de nossos alunos” (Prof.ª Mônica Rosa de Marins Gomes - Rede Estadual do Tocantins), isso no final da década de noventa e início dos anos 2000.
Sendo a produção intrinsicamente ligada a prática, como afirma Kopnin(1978):
“O conhecimento está necessariamente imbuído no campo da atividade prática do homem, mas para garantir o êxito desta atividade ele deve relacionar-se necessariamente com a realidade objetiva que existe fora do homem e serve de objeto a essa atividade.” (Kopnin, 1978, p.125)
A construção do conhecimento linguístico como preconiza os PCNs foi prejudicada, ou seja, quase nada foi produzido.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao observar os levantamentos relacionados nesta pesquisa, entendemos que não devemos ter pressa de enxergarmos resultados visíveis em estatísticas governamentais, pois estaremos valorando o desenvolvimento quantitativo e não qualitativo da aprendizagem na língua.
Devemos ainda refletir se possibilitaremos alguma coisa que possa ser aceita como “escrita e leitura” e formar quadros satisfatórios. Mas, satisfatórios pra quem?
Para concluir, enquanto educadores e professores, precisamos ainda na formação, adentrar ao mundo teórico-metodológico. Isso facilitará a atuação competente e efetiva na escola através da integração da teoria e da prática, além da reflexão causada por essa ação.
A partir da reflexão, provocar um aprofundamento entre teoria-prática-teoria na relação pedagógica professor-aluno-objeto do conhecimento.
Vale ainda lembrar que:
“O ensino de língua materna se justifica prioritariamente por objetivo de desenvolver a competência comunicativa dos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), isto é, a capacidade de empregar adequadamente a língua nas diversas situações de comunicação.
Portanto este desenvolvimento deve ser entendido como progressiva capacidade de realizar a adequação do ato verbal as situações de comunicação.” (2000:17).
Embora tudo, sabemos que se faz necessário muito ainda se fazer em termos de pesquisas para então auxiliar o complexo mundo da metodologia educacional, em se tratando da Língua Portuguesa e sua complexidade.
Essa complexidade exige de nós dedicação e renovação nas ações pedagógicas inerentes ao dia a dia educacional, pois somente assim estaremos contribuindo de forma singular para a construção de cidadãos críticos e não “fracassados”.     

Referências Bibliográficas:
Ø  http://www.significados.com.br/conhecimento/
Ø  http://www.recantodasletras.com.br/artigos/705184
Ø  Site: www.ibge.gov.br
Ø  MEURER,J.L ;MOTTA-ROTH,D. (Orgs.). Gêneros textuais: subsídios para o ensino da linguagem.
Ø  KOPNIN, P.V. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira ,1978.
Ø   Parâmetros Curriculares Nacionais.
Ø  CAPELLINI, A.S, Poleti FS, Renzo, Arruda PD, Pieroni  R, et al. Formação de interlocutores para a  construção de linguagem escrita: manual de orientação a pais e professores de crianças com dificuldades escolares. Temas sobre Desenvolvimento 2000; 9(50): 33-9.
Ø  FREIRE, Paulo. Pedagogia da esperança _ um reencontro com a Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

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