quinta-feira, 24 de outubro de 2013

A importância da organização do tempo e do espaço na Educação Infantil


INTRODUÇÃO
Ao pensar em educação infantil, reflete-se no mínimo em uma infância bem desenvolvida e norteada de aparatos que levem a criança à constantes momentos de aprendizagem.
Para tanto, muito se vem pensando, discutindo, elencando e executando para se chegar a excelência em termos de amparo à uma boa formação destas faixas etárias que compõe a educação infantil.
Além de se amparar legalmente com materiais, pessoal e boa alimentação, têm-se pensado também na organização do espaço e do tempo para execução destes momentos ímpares para o bom desenvolvimento educacional.
O lugar onde tudo acontece é justamente a sala de aula. Nela se encontra os mecanismos necessários ao desenrolar do processo educacional. Mas é só nela? E o resto da escola, precisa estar preparada para receber esta clientela tão singular? O profissional educador deve ficar atento aos detalhes deste ambiente?
Este trabalho tenta dirimir estes questionamentos a partir das pesquisas realizadas em rede mundial de informação, das observações em instituições de educação infantil e de questionamentos à profissionais da área feitos por nós acadêmicos. Tentamos assim, chegar às reais conclusões de como seria o ambiente ideal para a educação infantil.





Tempo e espaço

Ao se refletir em educação infantil quanto a organização da sala de aula, seja em termos de material(espaço) ou na rotina(tempo) escolar, espera-se uma visão sensível e atenta.
Embora o homem inicie sua experiência social no meio familiar, temos que dar atenção a este assunto, e, vale a pena lembrar que renomados teóricos embasam toda esta reflexão e norteiam todo o fazer pedagógico quanto ao espaço e ao tempo.
Um dos representantes, Henri Wallon, afirmou que “o indivíduo é social não como resultado das circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna”. Ele referia-se a necessidade humana de viver em constante socialização de suas atitudes.
Já Lev Vygostsky disse que “nós nos tornamos nós mesmos através do outros”, deixando evidente que a pessoa alcança aprendizagem quando confronta seus saberes com outros em uma vida social.
Ainda, Jean Piaget, último representante desta reflexão, concluiu que “o principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram”. Concretizando que a sala de aula ou ambiente escolar, não é um lugar de repetições e sim de experiências e descobertas que preencherão lacunas e construirão competências.
De acordo portanto com esses pensadores, a organização da sala de aula precisa ser colorida, cheia de sons e sabores que deixem a intuição aguçada e pronta a experienciar todos os chamados “espaços” e as “rotinas” propostas. Espaços e rotinas estes, que devem estar prontos a responder dúvidas, desenvolver a autonomia,explicitar a proposta pedagógica da instituição e demonstrar o planejamento, a atuação, a análise e as sínteses dos atores deste processo.
O RCNEI(Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil- 1998)preconiza e portanto ampara a afirmação de que o espaço físico, os materiais, todos os instrumentos sonoros ou não,e, o mobiliário não são elementos passivos, mas sim componentes ativos de todo o processo educacional.
Deixa-se claro também que tudo é construído mediante um estudo prévio e uma reflexão contínua sobre a clientela recebida e suas reais necessidades, que devem sempre delimitar o projeto político da instituição.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para finalizar esse texto, vejamos a fala transcrita que expressa a opinião da arquiteta Ana Beatriz Goulart de Faria(entrevistada por Paulo de Camargo) sobre a organização do tempo e do espaço dentro de um ambiente educacional.
Os espaços de nossa infância nos marcam profundamente. Sejam eles berço, casa, rua, praça, creche, escola, cidade, país, sejam eles bonitos ou feios, confortáveis ou não, o fato que influenciam definitivamente nossa maneira de vermos o mundo e de nos relacionarmos com ele.(CAMARGO, 2008,p. 45).
Como professores e/ou gestores devemos oferecer às nossas crianças um ambiente marcante e proporcionador de excelentes lembranças que desenvolvam a afetividade, a cognição e a linguagem, ou seja todas as potencialidades inerentes ao ser humano.
Como cidadãos brasileiros devemos sim cobrar às autoridades competentes o cumprimento do que reza em toda a parte documentada referente a educação infantil, estando nós inseridos como pais ou não. Precisamos estar sempre conscientes de que o nosso olhar atento dará ao nosso país condições de alcançar patamares cada vez maiores ao olhar do mundo de hoje.




Referências Bibliográficas:



  • BRASIL, Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília,1998.
  • BARBOSA, M. C. S.; HORN, M. G. S. Organização do espaço e do tempo
      na escola infantil. In: CRAIDY, C.; KAERCHER, G. E. Educação Infantil.
      Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 67-79.

  •      HORN, M. G. S. Sabores, cores, sons, aromas. A organização dos espaços na Educação Infantil. Porto Ale­gre: Artmed, 2004.

  • PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
  • CAMARGO,P. Desencontros entre Arquitetura e Pedagogia. Revista Pátio Educação Infantil, Porto Alegre, ano VI, n. 18, p. 44-47, nov. 2008.






                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               







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