INTRODUÇÃO
Ao pensar em educação
infantil, reflete-se no mínimo em uma infância bem desenvolvida e
norteada de aparatos que levem a criança à constantes momentos de
aprendizagem.
Para tanto, muito se vem
pensando, discutindo, elencando e executando para se chegar a
excelência em termos de amparo à uma boa formação destas faixas
etárias que compõe a educação infantil.
Além de se amparar
legalmente com materiais, pessoal e boa alimentação, têm-se
pensado também na organização do espaço
e do tempo
para execução destes momentos ímpares para o bom desenvolvimento
educacional.
O
lugar onde tudo acontece é justamente a sala de aula. Nela se
encontra os mecanismos necessários ao desenrolar do processo
educacional. Mas é só nela? E o resto da escola, precisa estar
preparada para receber esta clientela tão singular? O profissional
educador deve ficar atento aos detalhes deste ambiente?
Este
trabalho
tenta
dirimir
estes
questionamentos
a
partir das pesquisas realizadas em rede mundial de informação, das
observações em instituições de educação infantil e de
questionamentos à profissionais da área feitos por nós acadêmicos.
Tentamos assim, chegar às reais conclusões de como seria o ambiente
ideal para a educação infantil.
Ao
se refletir em educação infantil quanto a organização da sala de
aula, seja em termos de material(espaço) ou na rotina(tempo)
escolar, espera-se uma visão sensível e atenta.
Embora o homem inicie sua
experiência social no meio familiar, temos que dar atenção a este
assunto, e, vale a pena lembrar que renomados teóricos embasam toda
esta reflexão e norteiam todo o fazer pedagógico quanto ao espaço
e ao tempo.
Um
dos representantes, Henri Wallon, afirmou que “o
indivíduo é social não como resultado das circunstâncias
externas, mas em virtude de uma necessidade interna”. Ele
referia-se a necessidade humana de viver em constante socialização
de suas atitudes.
Já
Lev Vygostsky disse que “nós
nos tornamos nós mesmos através do outros”, deixando
evidente que a pessoa alcança aprendizagem quando confronta seus
saberes com outros em uma vida social.
Ainda,
Jean Piaget, último representante desta reflexão, concluiu que “o
principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer
coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações
fizeram”. Concretizando
que a sala de aula ou ambiente escolar, não é um lugar de
repetições e sim de experiências e descobertas que preencherão
lacunas e construirão competências.
De
acordo portanto com esses pensadores, a organização da sala de aula
precisa ser colorida, cheia de sons e sabores que deixem a intuição
aguçada e pronta a experienciar todos os chamados “espaços” e
as “rotinas” propostas. Espaços e rotinas estes, que devem estar
prontos a responder dúvidas, desenvolver a autonomia,explicitar a
proposta pedagógica da instituição e demonstrar o planejamento, a
atuação, a análise e as sínteses dos atores deste processo.
O
RCNEI(Referencial Curricular Nacional Para a Educação Infantil-
1998)preconiza e portanto ampara a afirmação de que o espaço
físico, os materiais, todos os instrumentos sonoros ou não,e, o
mobiliário não são elementos passivos, mas sim componentes ativos
de todo o processo educacional.
Deixa-se
claro também que tudo é construído mediante um estudo prévio e
uma reflexão contínua sobre a clientela recebida e suas reais
necessidades, que devem sempre delimitar o projeto político da
instituição.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Para
finalizar esse texto, vejamos a fala transcrita que expressa a
opinião da arquiteta Ana Beatriz Goulart de Faria(entrevistada por
Paulo de Camargo)
sobre a organização do tempo e do espaço dentro de um ambiente
educacional.
Os espaços de nossa infância nos
marcam profundamente. Sejam eles berço, casa, rua, praça, creche,
escola, cidade, país, sejam eles bonitos ou feios, confortáveis ou
não, o fato que influenciam definitivamente nossa maneira de vermos
o mundo e de nos relacionarmos com ele.(CAMARGO, 2008,p. 45).
Como professores e/ou
gestores devemos oferecer às nossas crianças um ambiente marcante e
proporcionador de excelentes lembranças que desenvolvam a
afetividade, a cognição e a linguagem, ou seja todas as
potencialidades inerentes ao ser humano.
Como cidadãos
brasileiros devemos sim cobrar às autoridades competentes o
cumprimento do que reza em toda a parte documentada referente a
educação infantil, estando nós inseridos como pais ou não.
Precisamos estar sempre conscientes de que o nosso olhar atento dará
ao nosso país condições de alcançar patamares cada vez maiores ao
olhar do mundo de hoje.
Referências
Bibliográficas:
- BRASIL, Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília,1998.
- BARBOSA, M. C. S.; HORN, M. G. S. Organização do espaço e do tempona escola infantil. In: CRAIDY, C.; KAERCHER, G. E. Educação Infantil.Pra que te quero? Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 67-79.
- HORN, M. G. S. Sabores, cores, sons, aromas. A organização dos espaços na Educação Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2004.
-
- PIAGET, Jean. A linguagem e o pensamento da criança. São Paulo: Martins Fontes, 1995.
- CAMARGO,P. Desencontros entre Arquitetura e Pedagogia. Revista Pátio Educação Infantil, Porto Alegre, ano VI, n. 18, p. 44-47, nov. 2008.
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